Demorou mais do que eu gostaria de admitir.
A ideia nasceu em 1988, dentro de um seminário. Eu ainda era um adolescente tentando decidir se seguiria um caminho religioso ou qualquer outro que fizesse sentido. No meio daquele ambiente de silêncio e rotina rígida, escrevi as primeiras linhas de O Décimo Primeiro Mandamento. Era um começo frágil, sem qualquer noção de futuro, mas persistente o suficiente para atravessar o tempo.
Depois disso, a vida tomou a frente.
Vieram mudanças, interrupções e períodos em que escrever simplesmente não avançava. Houve momentos de distanciamento, outros de tentativa frustrada, e sim, houve adiamento consciente. Eu deixei o projeto em espera mais vezes do que gostaria de contar.
Só que o tempo não foi vazio.
A escrita foi sendo moldada fora do papel. O jornalismo entrou nesse processo como uma escola dura. A rua ensinou mais do que qualquer teoria. Situações reais, personagens improváveis, diálogos que não seguem regra nenhuma. Tudo isso foi ficando. Quando eu voltava ao manuscrito, ele já não era o mesmo.
O livro ficou comigo esse tempo todo.
Sem pressa, mas sem desaparecer.
Publicar exigia mais do que finalizar uma história. Exigia assumir um compromisso com o que viria depois. Eu precisava ter certeza de que não seria um episódio isolado. A decisão envolvia continuidade.
Agora, esse momento chegou.
Em julho, O Décimo Primeiro Mandamento será lançado pela Flyve. O texto carrega décadas de revisão interna, mesmo quando não estava sendo escrito diretamente. Não é um ponto de partida improvisado. É um passo calculado depois de muito tempo de preparação.
O noir brasileiro deixou uma base sólida. Rubem Fonseca estabeleceu um padrão que ainda sustenta o gênero, com personagens como Mandrake e uma abordagem direta, sem concessões.
Douglas Navarro entra nesse cenário com outra trajetória. Um investigador marcado, distante de qualquer idealização, inserido em um ambiente onde as respostas raramente resolvem o problema.
Esperei porque precisava chegar pronto.
E agora não faz mais sentido esperar.
